Mostrando postagens com marcador Cfes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cfes. Mostrar todas as postagens

26 outubro 2011

ENFF recebe curso latino-americano e formação política do movimento de economia solidária



A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) recebeu entre os dias 17 e 21 o segundo módulo da Oficina Nacional de Formação Política e Economia Solidária. Ao mesmo tempo, está ocorrendo até o mês de novembro a quinta edição do curso de teoria política Latino-Americano. Juntos na escola, estiveram os 120 militantes vindos de 20 países e mais 50 militantes da Economia Solidária vindos de todos os estados do Brasil.

O objetivo da Oficina de Formação Política e Economia Solidária é aprofundar a leitura política e apropriação das deliberações e acúmulos do movimento de economia solidária, consolidando o projeto político do movimento de economia solidária, e para isso, considerou-se fundamental que fosse realizado na ENFF. Os participantes da oficina são educadoras e educadores de todo o Brasil, que saem da escola com a tarefa de pautar a formação política nos fóruns locais de economia solidária, através do Centro de Formação em Economia Solidária.

O Boletim do MST entrevistou participantes dos dois cursos. Sandra Lopes, do equador, veio para o curso Latino-Americano, mas passou um dia na oficina de economia solidária, dado que seu país é uma referência em legislação sobre economia solidária: “O objetivo do curso é que nós da esquerda latino-americana possamos nos fortalecer não só na prática, mas também na teoria.”

Para Tico, militante do MST na ENFF,  a importância da articulação com o movimento de economia solidária se dá na possibilidade de trazer para esse movimento elementos da luta política que o MST trava: “A economia solidária cada vez mais se aproxima para avançar na formação política necessária para fazer da utopia realidade. Com esse processo de crise que se amplia, se faz necessária essa articulação entre os diversos movimentos.”

Tiana Almire, da coordenação executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, explica a importância da formação política para o movimento de economia solidária: “Nosso movimento tem o propósito de transformar a sociedade, virar a página do capitalismo. Faltava o espaço da formação, de reflexão maior. Aqui podemos trocar experiências com o MST, que vem fazendo a formação do seus quadros há anos, e nos aproximar, afinal de contas estamos do mesmo lado e temos o mesmo objetivo. Não podemos ficar isolados nas nossas caixinhas."

Rosana Kirsch, coordenadora do Centro de Formação em Economia Solidária (CFES), explica como se deu a decisão de realizar a formação política na ENFF: “No começo do ano, o conselho gestor do CFES definiu que uma das atividades seria voltada para a formação política, e que essa atividade seria feita em parceria com o MST, reconhecendo o acúmulo deste movimento na formação política, de quadros e em educação.”

Segundo Neno, da Rede de Educação Cidadã – RECID, o movimento de economia solidária está passando por transformações. “A economia solidária começa a ter compreensão de que é um movimento da classe trabalhadora. A proposta da solidariedade, a proposta da cooperação, a proposta da autogestão já são em sua essência propostas socialistas.”

Joana Louback, da Cooperativa Aprender Produzir Juntos (APJ), finaliza sintetizando a importância da união entre os movimentos: “Todos aqueles que estão construindo um outro mundo possível tem que se juntar. O valor fundamental de estarmos aqui se dá em fortalecer aos que acreditam no mesmo projeto de sociedade.”

Veja mais sobre a Economia Solidária e o curso de formação política aqui: FBES

07 agosto 2011

Linhas políticas da formação do/no MST é tema do último dia da Formação Nacional

Foto: Solaris
Por Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária

No último dia (05/08) da Oficina Nacional de Formação Política e Economia Solidária, Maria Goreti, da Coordenação da Escola, foi a facilitadora, trazendo as bases sobre a formação política do MST.

Para o MST educação popular é formação política, e a política é entendida como tudo que move a vida do indivíduo na sociedade, por isso sua importância para o processo de formação de consciência.

O MST é fruto de um processo histórico, de lutas contra o latifúndio, até desembocar no surgimento de diversas organizações. E compreendem o sentido da luta pela terra como dependente também da mudança na educação, sem educação não existe reforma agrária.

“Palavras chaves como democracia, participação, direitos humanos foram apropriadas pelas elites e temos que recuperá-las no conteúdo transformador que elas são, segundo Florestan Fernandes. Estas palavras não se completam no sistema capitalista, assim como a economia solidária. A formação política tem que desvendar o significado destas palavras e da realidade, se perguntar o que está além das aparências, quais são os processos.” Colocou Goreti.

Para o MST a educação é para transformar a sociedade injusta. Segundo Goreti “Nós não queremos migalhas, nem uma sociedade mais justa, porque hoje a sociedade não é justa, apenas com lutas se conquistam os direitos sociais.”

A importância de interpretamos corretamente o momento que vivemos é para definir as linhas corretas de construção do futuro. Não somos determinados apenas por nós mesmos, mas por um processo histórico.

Novamente o tema do Estado foi debatido, segundo Goreti: “Não tem como juntar movimento social com estado, é uma contradição. Os objetivos são diferentes, porque o estado é do capital, um sistema que impõe independente do bom funcionário que esteja discutindo conosco." Além disso, complementou: "A formação política tem que estar relacionada internacionalmente, e tem que ser pensado na totalidade da organização”, por exemplo, o MST tem Brigadas Internacionalistas em diversos países da America Latina e África.

Outro tema discutido no dia foi a Rede de Educadores nas regiões e construção do PPP (projeto político pedagógico). Cada região deu seus encaminhamentos e como farão as atividades até o segundo módulo desta Oficina Nacional de Formação, previsto para 17 a 21 de outubro deste ano.

Por fim, um bonito momento de encerramento marcou o final desta primeira etapa, com um grande agradecimento a toda a acolhida da Escola dos Trabalhadores.

05 agosto 2011

Vídeo do casamento da Economia Solidária com o MST


04/08/2011 - Oficina Nacional de Formação Política e Economia Solidária / CFES Nacional

Histórico do capitalismo levantou importantes reflexões no quarto dia da Oficina Nacional de Formação Política e Economia Solidária

Foto: Solaris

Por Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária

No quarto dia (04/08) da Oficina Nacional, o tema do histórico do capitalismo e das lutas sociais foi o foco dos debates, facilitado pelo educador da Escola Nacional Florestan Fernandes, Francisco de Pádua.

A atividade se iniciou com sua apresentação: "O capitalismo inicia com a expulsão dos camponeses do campo, concentração nas cidades, mas encerra seu próprio fim, porque conecta as pessoas. Um homem não faz a revolução sozinho, atos unidos é que podem mudar com a consciência de classe."

"No capitalismo temos a liberdade perante a lei, sensação de ser livre quanto mais somos dependentes da mercadoria. O estado tem um papel regulador nisso, enquanto máquina de manuteção e reprodução da desigualdade, com a justiça legitimando a moral capitalista, e a desigualdade social." Neste sentido, colocou-se a questão, até onde podemos ir junto ao estado?

O MST compreende a emancipação como é uma forma de organização social aonde não hajam desigualdades, e a luta imediata não diminui a desigualdade, mostra o conhecimento da desigualdade. Assim, as melhorias imediatas não podem se sobrepor a luta maior, de mudança da sociedade para o socialismo.

O amor real é de classe
Quem ama luta
Quem luta ama

Os debates sobre o tema ocorreram em grupos, com questões fundamentais para serem refletidas pelo movimento de economia solidária:

1. O conflito ou a luta de classe que acontece atualmente tem sido uma luta aberta ou dissimulada?

2. Qual a alternativa para a classe trabalhadora hoje?

3. O que temos feito até hoje tem dado alternativa para a classe trabalhadora ou são apenas formas paliativas que não alteram a estrutura do capitalismo?

4. Aonde temos que gastar as energias revolucionárias da classe?

Nas reflexões, os debates levantaram uma diversidade e complexidade de questões, dentre elas: a falsa sensação de bem estar com o consumo, o crédito, os benefícios sociais que mascaram o conflito social e de classes e dentro disso, não se deixar cooptar por políticas públicas temporárias que freiam a luta; os conflitos entre a teoria que não representam a prática cotidiana; a necessidade de manter sentimento de indignação, denúncia e resistência para continuar na luta; o desafio da autonomia política do movimento e do FBES; dificuldade de participação do mundo rural; se unir enquanto classe trabalhadora e unificar o projeto através da articulação dos movimentos populares nacionais e internacionais; a ecosol não pode ser cooptada pelo capitalismo, tem que ser alternativa e não complementação, e para isso precisa intensificar a formação política de base.

Outras questões foram levantadas, como: quais mecanismos de participação utilizar para fortalecer o FBES? Qual nosso método para formar nossos militantes? Que cultura cultivar? Há perspectiva junto aos partidos? O EES estão conscientes de que são os protagonistas para transformar o sistema?

Nas contribuições do MST foi colocado o conceito de movimento social: aquele com um projeto que olha para frente, com projeto político, que tenha organização, que se reconheça e organize sua luta. A análise sobre o estado tem que se manter crítica, assim como a mudanças dentro da perspectiva dos partidos políticos, que hoje se focam mais na disputa eleitoral, sem expressar realmente um projeto político.

Ao final do dia, um simbólico casamento entre o MST e a economia solidária foi momento de descontração e representação da união de forças.

Nos momentos culturais, o cordelista presente Edigar contribuiu com um cordel sobre o dia anterior da Oficina:

"Vo fala in pureza Puxando pela inspiração Dizendo o que qui aconteceu Onte numa reunião Cum tanta muié bunita Falando pro povão

Bicho besta é o matuto Eu tava no mei daquele povo sabido Vendo eles falar Um negócio bem cumprido Eu como num sabia nada Fiquei só de ovido

Uma tá de políiia púbrica Muitos começaro discusar Tinha uma pessoá lá do sítio Otos era da capitá Uns intendia alguma coisa Otos num quisero falar

Uma muié falava pro medonho Ota começava cantá Uma falava de rede Eu pensava que era de deita Oto falava de conomia E eu só fazia iscutá

Vei uns home importante Muito bem studado Falava umas estranha Eu nunca tinha escutado Vi quando uma moça se spoletô Parecendo um leão infezado

Eita muierada braba As que vi onte aqui Uma tá de pimenta Parecia um boi no giqui Quando tá muito brabo Queremos se scapulir

Uma tá de Catarine Viro uma fera valente Spoleto-se também Katiucia pula lá na frente Das Alagoa grito Neno Assanhado que só um jumento

Jaqueline mostrava um pape Com alguma coisa escrita Rosana botava a mão na cara Tatiana baixa a vista Lidia oiava prum lado e outro E os home baixando a crista

Dizem que japonês Tem os oi apertado Mas onte vi uma tá de Keiko Com os zoi arregaldado E Tide no canto da parede Ficava bem de bico fechado

Ontem o povo tava brabo Com o qui foi falado Os homi sabido Ficaro mei maguado Mai o povo resistiu Pro num ter concordado

Querendo apaziguá Penha aparece sem demora Pedindo disculpa aos homi Mai o povo sem demora Asseguro sua fala E os cara foro imbora

Gente peço desculpa a todos Por está brincando É uma forma de discontrair E continuarmos caminhando Fazendo essa economia Que aos poucos esta chegando Pois é através dos debates Que vamos nos apropriando E fortalecendo este movimento Que um grande espaço esta conquistando" (Edigar, o abençoado)

04 agosto 2011

Terceiro dia da Oficina Nacional debate concepções de economia solidária

Foto: Solaris

Por Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária

Começando o dia (03/08) com a música popular da educadora Lídia Vasconcelos de Roraima, o terceiro dia de formação da Oficina Nacional de Formação Política na escola do MST em São Paulo aprofundou as concepções de economia solidária a partir do campo sindical, da igreja, da democracia socialista, da universidade e do MST.

A atividade foi iniciada com uma linha do tempo do movimento, que trouxe os principais momentos históricos e acumulativos da economia solidária no Brasil, e na sequência, inserindo a trajetória de cada educador/a presente sobre como e quando entrou na construção desta proposta de socialismo.

A apresentação das concepções ocorreu com convidados: Ademar Bertucci/ Cáritas, Dione Manetti/Democracia Socialista do PT, Geraldo/MST, e pelo campo sindical infelizmente não pode participar a representação da Unisol. Algumas questões geradoras foram colocadas para a reflexão e o debate: Qual a compreensão de sociedade? Qual foco de ação? Qual papel da educação na economia solidária? Quais limites e desafios?

O dia trouxe o desafio de entender algumas das diversas concepções que se tem sobre a cooperação, sobre a estratégia de conquista do socialismo, sobre a proposta da economia solidária. E trouxe o desafio sobre a necessidade do estudo, da leitura, da reflexão entre teoria e prática, da adaptação frente aos conflitos e as contradições, e principalmente, o aprendizado com um movimento social já constituído e com aprendizados de luta.

A cada dia da formação os núcleos de base, organizados entre os educadores no primeiro dia, realizam as atividades de manutenção do espaço: distribuição da alimentação, limpeza e organização. Uma forma de confrontar a teoria com a prática, o exercício de uma nova cultura, da partilha e da construção coletiva.

Enquanto leitura preparatória para a Oficina, os textos estão disponíveis em: www.cirandas.net/cfes-nacional

03 agosto 2011

Como fazer análise de conjuntura foi tema do segundo dia da Oficina Nacional de Formação Política e Economia Solidária

Foto: Solaris

Por Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária

O segundo dia (02/08) da Oficina Nacional de Formação Política e Economia Solidária em Guararema, na Escola Nacional Florestan Fernandes, iniciou com um momento de mística, com gritos de ordem do MST e da Economia Solidária ao lado das bandeiras do MST e da Via Campesina.

O tema central foi Como fazer análise de conjuntura, facilitado pelo membro da Secretaria Geral do MST, Daniel Pereira.

Daniel trouxe ferramentas e elementos para ajudar a trabalhar a análise de conjuntura com as bases, partindo de uma visão marxista.

"Na Grécia o destino da pessoa estava marcado, não tinha como mudar, escrito pelos deuses. Hoje também há pessoas que acham que as coisas são imutáveis, assim foi, assim será. Já Marx colocava algo diferente, a possibilidade de mudarmos a realidade, e para mudá-la temos que conhecê-la", iniciou Daniel.

A análise de conjuntura busca organizar o contexto, montar um grande quebra-cabeça destas peças, dar uma organicidade neste conjunto e mostrar suas relações. Por exemplo, cada jornal de circulação apresenta as notícias de uma forma, faz seus destaques e recortes, tem suas colunas, isso com um motivo, uma intencionalidade.

A partir do momento em que se define a identidade e aonde se quer chegar, define-se o caminho, partindo de uma análise de conjuntura para desenhar estes caminhos e estratégias.

Os elementos apresentados por Daniel para fazer a análise de conjuntura foram os seguintes:

Acontecimentos: diferenciando o que são fatos e ocorrências, do que são acontecimentos de maior importância, além de colocá-los em ordem de importância e hierarquia. Os acontecimentos são analisados a partir da posição e da classe, ou seja, da subjetividade do sujeito que faz a análise;

Cenários: o espaço aonde ocorrem os acontecimentos, cenário tanto como local físico, quanto como clima social;

Atores: papéis que são desempenhados no contexto, de pessoas físicas e/ou jurídicas, de classe e de grupos sociais que são ativos no processo;

A ausência e omissão de atores também muda o cenário, mudando correlação de forças.

Relação de forças: seja de confronto, coexistência, cooperação que estarão sempre revelando uma relação de domínio, de igualdade ou subordinação, não sendo algo imutável, sofrendo mudanças constantemente;

Articulação entre "estrutura" e "conjuntura": foi trazida a partir de uma análise marxista da sociedade, da estrutura econômica e da superestrutura política.

Corte conjuntural: na análise de conjuntura tem que ser percebido o tempo passado e futuro, ou seja, para refletir sobre certo contexto há necessidade de elementos temporais mínimos e perceber a relação entre as coisas, o movimento e o ritmo dos acontecimentos.

O MST, por exemplo, antes apenas ocupava terras improdutivas, e a partir da análise de conjuntura, passaram a ter um confronto mais forte, mostrado pelas mulheres. Mesmo sabendo que a correlação de forças é desfavorável passaram a ocupar grandes produções, enquanto forma de luta e enfrentamento em uma conjuntura mais difícil.

Nos debates, foram trazidos exemplos de experiência de conjuntura na economia solidária, por exemplo com o pl 865 em que o governo construiu um contexto e depois o movimento somou forças para buscar reverter o quadro, somando-se ao Grito da Terra e realizando as audiências públicas e mobilizações nacionais.

Além disso, foi visto a importância da análise de conjuntura para os EES, que na maior parte do tempo ficam limitados as questões econômicas e de sobrevivência, sem uma iserção política mais clara e forte. As proposições levantadas foram de que os empreendimentos precisam se empoderar desta luta, fortalecer o projeto de sociedade que queremos com a economia solidária. Isso se relaciona a forma como até então a economia solidária está organizada, qual o peso dos atores e contra quem se faz a sua luta e quem são os aliados.